Etanol na navegação pode abrir mercado de até 30 bilhões de litros, avalia SCA Brasil
O transporte marítimo pode abrir uma nova frente de demanda para o etanol brasileiro. Segundo Martinho Ono, CEO da SCA Brasil, uma participação de 10% do biocombustível no mercado mundial de combustíveis para navegação poderia representar consumo próximo de 30 bilhões de litros por ano.
A estimativa considera um cenário potencial de adoção, e não uma demanda já contratada. Para o executivo, a busca por alternativas de menor emissão de carbono e o crescimento da produção de etanol de milho favorecem a participação brasileira nesse mercado.
O avanço, contudo, dependerá de investimentos na oferta do combustível, na logística de distribuição e nas estruturas portuárias, além da adaptação das embarcações.
Uso marítimo pode avançar antes do combustível sustentável de aviação
Na avaliação de Ono, a aplicação do etanol na navegação pode evoluir mais rapidamente que o combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF.
O executivo afirma que testes com diferentes misturas, incluindo o etanol puro, ou E100, têm apresentado resultados positivos. A chegada de embarcações adaptadas a combustíveis alternativos até 2030 é apontada por ele como um fator capaz de ampliar as oportunidades.
Esse movimento cria uma perspectiva de consumo adicional para a cadeia do etanol, mas exige planejamento para conectar produção, abastecimento e operação marítima.
Potencial de demanda tem escala relevante para a produção brasileira
Segundo a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) citada na análise, o Brasil deve produzir 41,88 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27.
Já o consumo mundial de combustíveis pelo transporte marítimo é apresentado em uma faixa de 250 bilhões a 298 bilhões de litros anuais. Nesse contexto, Ono projeta que uma participação de 10% do etanol poderia gerar demanda próxima de 30 bilhões de litros.
A dimensão desse cenário reforça a necessidade de ampliar a capacidade de atendimento caso o uso marítimo do biocombustível ganhe escala. O crescimento do etanol de milho é um dos elementos destacados pelo executivo como favoráveis ao Brasil.
Infraestrutura e previsibilidade serão decisivas
Para transformar o potencial em negócios, Ono considera fundamentais regras claras, metas e previsibilidade para os investimentos.
Além da produção, a expansão dependerá de uma estrutura logística capaz de levar o etanol aos pontos de abastecimento. Terminais portuários e instalações de movimentação do combustível fazem parte das necessidades apontadas na análise.
O tema já é discutido no âmbito do Programa Nacional de Combustível Sustentável de Navegação, que integra o debate sobre alternativas energéticas para o setor.
Testes com biocombustíveis aproximam discussão da aplicação prática
Ono cita iniciativas de empresas como Vale e Maersk, que realizam testes e adaptações para o uso de biocombustíveis em embarcações.
Segundo ele, os resultados dessas experiências mostram que a busca por combustíveis alternativos começa a avançar para aplicações concretas. Para a cadeia brasileira do etanol, o desafio será acompanhar essa evolução com capacidade produtiva, infraestrutura e condições de investimento compatíveis com um novo mercado.
Via Novacana
Imagem - Eixos.com

